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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Último Capitulo de O Vampiro da Internet


Último Capitulo

A noite está como ele gosta. A suave brisa noturna entra pela janela, fazendo-o tirar os olhos da tela do computador por alguns instantes e inalar aqueles aromas noturnos. Podia ouvir os sons dos insetos que invadiam seus tímpanos, agora ainda mais apurados.

Ele fecha os olhos, concentrando-se em cada ruído, em cada sensação. Sente cada milímetro do seu novo ser restaurando-se, ao absorver as recém-adquiridas propriedades daquele corpo humano.

Volta a atenção para sua interlocutora. O cursor pisca em cima da última frase digitada.

A sala de chat está lotada e ele tecla velozmente, atendendo a várias pessoas ao mesmo tempo, mas uma dela é o alvo da sua atenção.

(Peter) Sinistra... Belo apelido... [murmura ele, sorrindo.]
Ele relê o que digitou e continua o diálogo.

Vampiro diz: Sim, sou um vampiro. O que mais deseja saber, doce mortal?
Sinistra diz: Tudo sobre você. Seu nome verdadeiro, onde mora, sua idade... sua... disponibilidade... (kakakaka).

A moça busca uma aventura e encontra naquele sedutor virtual muitas características que lhe agradam. Ele fala bem e tem um senso de humor picantemente negro, do jeitinho que ela gosta.

Vampiro diz: Posso fazer mais do que isso, minha querida. Posso ir até onde você se encontra.
Sinistra diz: Fala sério!!! Você nem sabe onde eu estou!!!
Vampiro diz: Já lhe disse, sou um vampiro e posso muito mais do que você imagina, quer tentar?
Sinistra diz: Claro que sim!

A moça digita, rindo alto, envolvida pelo jogo de sedução.
"Como esse cara doido pensa em fazer isso?"

A resposta à sua pergunta foi imediata. Foi como se uma sombra invadisse suas entranhas. Não tinha mais controle sobre seus movimentos apesar de ver tudo o que lhe acontecia. Seu corpo estava como que congelado na cadeira giratória em frente ao seu computador. Ela viu quando aquela sombra contornou a cadeira, ficando de frente para ela. Não tinha rosto, nem se parecia com uma figura humana, mas ela poderia jurar que "ele" era extremamente bonito e sedutor. O aroma que exalava daquela "sombra" a fez sentir uma excitação maravilhosa!

A última coisa que sentiu foi uma dorzinha fina em seu coração e uma sensação de paz invadindo seu ser.

No dia seguinte, "Sinistra" não teclaria mais com seu amigo virtual. Seu corpo seria encontrado em seu quarto e seu óbito seria "vítima de um ataque cardíaco". Ficaram intrigados, se perguntando como uma moça tão jovem sofria daquele mal, mas, por fim, se conformariam com o resultado do diagnóstico. Afinal, tantos morrem cedo... Ninguém repararia em dois finíssimos furos em seu pescoço.

***

Nem todo dia é dia de glória. Nem sempre somos recompensados com a vitória. Só nos resta o sabor amargo da vingança. 

Peter está de volta, reconstituído, mais forte, com uma essência repleta de novas propriedades, adquiridas da recente batalha com Lali.
Nem ele mesmo acreditou em sua sobrevivência, já que muitos pereceram naquele instante. E para sua alegria, descobriu recentemente que sua inimiga nem suspeita da sua sobrevivência!
Pode recomeçar, agora que já está em um novo corpo e pode se disfarçar mais e ainda melhor! Não cometeria mais erros. Seria implacável com seus inimigos e com a desprezível RAÇA HUMANA!

Vampiro da Internet está de volta... e Annael/Lali não perde por esperar...

FIM
Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante (Quasee Anjoos)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

38º Capitulo de O Vampiro da Internet


Capitulo 38

Séculos Depois...
(Lali/Annael) Olá, meu nome é Annael.
Mas também já fui chamada de Mariana Espósito, Francis de Lemart, Owiel Ramsset, Lucius Komanessi, Riruska Petrosky e outros tantos que não caberiam aqui nesse capitulo. Vivi na Argentina, no Egito, na França,  no Brasil... Entre outros. Em alguns deles vivi mais de uma vez.

De alguns nomes que tive não me recordo, pois foram passagens muito rápidas.
Neste momento tenho uma vida nova, vivo em um país novo e tenho um novo nome mortal.
Gosto desse país. Ainda não está completamente contaminado pela ambição e pelo excesso de tecnologias e o chamam de País do Futuro. Os habitantes ainda são pessoas que valem a pena.
Mas nem o nome e nem o país importa agora.
O que importa é o objetivo de estar aqui na Terra.
Minha missão ou castigo continuará até o Dia Final.
Sei que não serei eximida das consequências dos meus atos, mas fui uma das poucas que se arrependeram amargamente por abandonarem suas formas de vida, na ambição de me tornar um elemento diferente do que fui criado para ser.
Mas como já disse, agora não importa mais.

O meu arrependimento deu-me a opção de escolha. Os outros não tiveram sorte semelhante. Até mesmo para os que fizeram a mesma escolha que fiz, a missão tornou-se insuportável. 
Por isso continuo aqui. Aqui estou, tornando-me uma deles a cada etapa em minha "vida".

Envelhecer é um processo que não posso "desfrutar" por muito tempo. Não posso permanecer num corpo debilitado. Chamaria demais a atenção dos humanos.
As essências de que agora sou constituída, resultado da absorção dos Outros naquela noite fatídica, torna-me sempre um ser humano, digamos... especial.

Nunca "morri" de acidentes do tipo atropelamento ou queda. Todas as vezes em que algum deles iria acontecer, eu evitei, de um jeito não-terreno.
Lembro de uma tarde, quando ainda era um rapaz e estava andando distraidamente pela rua e, do nada surgiu um caminhão na minha frente. Num milésimo de segundo eu desviei do caminhão. Acho que se fosse um ser humano, tinha morrido na hora. Só morro de doença ou quando estou velha demais e a morte não chega, ai tenho que abandonar o corpo.
Morrer para mim é uma coisa comum. Não sinto a dor desesperada da perda que os seres humanos sentem ao terem suas vidas deixadas para trás.

É muito bom quando encontro os Outros. É quando me sinto livre, flutuando, fazendo parte do ar da noite. É quando descubro que não estou só no Universo, como me sentia antes de encontrar o Peter.
Peter... Senti muito o desperdício que foi me desfazer da sua companhia. Um ser tão lindo e magnifico, acho  que já estava apaixonada, mas a tempo descobri suas artimanhas de outra forma, eu seria apenas mais um ser destruído, em prol das suas tentativas de voltar às origens.

Mudando de assunto, os únicos humanos capazes de realmente me ver como sou são impossibilitados de expressar essa descoberta. São as crianças. Os bebês humanos que ainda não aprenderam a falar.
Mas quando atingem uma certa idade perdem essa capacidade.
Foi com essas pequenas criaturinhas que aprendi que amá-los poderia valer a pena.
Por cauda delas e dos seres humanos bons de coração, a raça humana ainda existe.
Quem me dera tivesse mais tempo e pudesse protegê-los ainda mais. Alertá-los sobre os perigos sutis que os cercam. Mostrar-lhe a verdadeira face dos seres que se fazem de cordeirinhos em pele de lobos.
Quem me dera poder abrir os olhos deles e revelar todo o perigo que esses seres representam.
Dizer-lhes que não se enganem com as aparências.

Tenho que me conformar com o tempo que me resta e fazer dele o melhor que puder.
Enquanto for possível, estarei aqui, renascendo, fortalecendo-me a cada Restante destruído e ajudando os seres humanos no que for preciso para encontrar o seu caminho.
Estarei aqui... Nos encontraremos por aí... Fique atento e poderá até me reconhecer...

Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

37º Capitulo de O Vampiro da Internet

NO CAPITULO DE HOJE...

O plano de fusão de Peter é colocado em ação. O que eles não imaginavam é que Lali iria dar a voltar por cima...

LEIA O CAPITULO!


37° Capitulo

Peter afastou-se um pouco de Lali e seguiu em direção aos outros. Muitos deles estavam à beira do desespero. Eram seres por demais enfraquecidos pelas exaustivas tentativas de fazer a humanidade cair aos seus pés, e a proximidade de ver aquela história finalmente concluída deixava-os num estado lastimável de desespero.

Todos eles estavam juntos agora, esperando... A proximidade uns dos outros (antes dispersos) transformava aquele espaço noturno num espetáculo inimaginável! Brilhos, luzes, tons, cores, transparências. Tudo isso em constante movimento, causando uma apoteose de beleza!

Um só ser daqueles, quando se deixa perceber por olhos humanos, quase os leva á loucura, tamanha a sua luminescência e beleza, fazendo-os crer que foram testemunhas de algo divino.

Se houvesse a possibilidade de um humano presenciar a grandiosidade do que acontecia naquele momento, certamente ele deixaria de existir, de imediato. Seu cérebro, sua constituição, seus elementos não seriam capazes de suportar tamanha demonstração de poder.

Lali deslocou-se mais para o alto e, a uma certa distâncias, deixou-se ver.

Um "Oh!" geral ouviu-se no espaço infinito.
Como que hipnotizados, começaram a juntar-se e a mesclar as suas essências, sem desviar um milésimo de segundo sequer a atenção para o que viam. Era simplesmente magnífico! A essência lendária realmente existia e estava diante deles! Mal podiam acreditar!

O espetáculo que acontecia de ambos os lados era inexplicável. A junção dos elementos criava um ser espetacular. Aqueles milhões de elementos unidos em um só proporcionavam a Lali um espetáculo nunca visto e nunca sequer imaginado. Do ângulo que ela se encontrava, pôde admirar tudo aquilo exclusivamente.

Por outro ângulo, os Outros também admiravam o espetáculo que era vê-la em sua forma natural e mesclada aos famosos elementos humanos. Era um espetáculo hipnótico, e muitos deles se encontravam num estado de  puro êxtase que os levava a crer que, depois de presenciar aquilo, poderiam deixar de existir e estariam completamente realizados e felizes!

A fusão continuou e Lali viu Peter unir sua forma linda e líquida à transparência dos seres feitos de Ar. Isso os deu uma nova forma ainda mais poderosa.

Em seguida, outros elementos se misturaram a eles: Terra e Fogo agora faziam parte de Água e do Ar. Toda aquela mistura em um só. Faltava agora Lali se juntar a eles e unir não só os elementos adquiridos dos seres humanos, mas toda a pureza intacta da sua essência. Sem isso, a fusão total não alcançaria seu objetivo.

Lali concentrou-se e dirigiu-se até eles. Cada vez mais, sua luminosidade aumentava de intensidade. Uma luminosidade que seria insuportável a olhos humanos.

Brilhando cada vez mais forte e aumentando o seu tamanho, Lali alcançou a grande luz que se formou com a junção dos seres.

E então, tudo aconteceu: Lali uniu-se a eles e eles sentiram dentro de si uma força inigualável, como há milhares e milhares de séculos não sentiam.

Os mais fracos quase não suportavam a intensidade dessa força. Os mais fortes sentiam-se deslumbrados, felizes e poderosos! Sentiam-se novamente como eram antes de acontecer a rebelião.

Começaram a grita: "Sim! Sim! Sim!". E a gargalhar, rir sem parar, tamanha era a felicidade de se sentirem totalmente revigorados.

Continuaram unidos, absorvendo as energias liberadas uns dos outros.

E Lali sentia de volta toda a força e poder dos outros elementos. E o seu tamanho continuava cada vez maior.
E, de repente, os gritos de júbilo, os risos felizes foram se transformando em gritos de puro desespero e pânico.

Quando eles perceberam o que lhes acontecia, era tarde demais para voltar atrás. Gritos raivosos e desesperados rasgavam o ar, fazendo os céus tremerem como se uma tempestade imensa estivesse por vir.

"Fomos enganados!" - gritaram em uníssono.

Lali os absorvia até a última gota de suas essências. Ao invés de doar um pouco de si, ela estava consumindo toda a essência deles.

(Lali) Tudo isso para salvar a humanidade!

Eles não imaginaram que o poder dela fosse tão grande. Jamais acreditaram que ela sozinha tivesse poder para dizimar todos eles. E agora era tarde demais para usarem os seus poderes.

Pensaram que seria muito fácil absorver totalmente os poderes dela, exterminá-la e dominar a humanidade, mas nunca imaginaram que o contrário seria possível.

Quando percebeu que o plano deles era a sua completa absorção, Lali tratou de imediatamente pôr em ação o seu plano inicial, que era o de exterminar com todos aqueles seres inúteis e pretensiosos.

Concentrou-se em todas as forças que possuía.

Sua luminosidade alcançou uma grande intensidade e, depois de uma fração de segundo, que pareceu durar uma eternidade, uma grande explosão cósmica e desprovida de som aconteceu e tudo ficou numa escuridão total...

Depois de alguns instantes, uma nova luz exibia o seu brilho. Estava sozinha naquele espaço antes ocupado por milhões de seres.

(Lali) Quem eles pensavam que eram? Ou melhor: quem eles pensavam que eu fosse? O Peter pensava que eu era uma simples mocinha inocente que não sabia utilizar meus poderes, mas ele estava totalmente enganado, e hoje ele não passa de simples pó!

Num lampejo de lembrança, Lali ainda pôde ver seu ex-amigo vampiro, chamado Peter, antes dele deixar de existir.

CONTINUA...
Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante (Quasee Anjoos)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

36º Capitulo de O Vampiro da Internet


36° Capitulo

(Peter) Exato minha cara. E como você já deve ter concluído também, você é uma das essências mais pura da mistura dos nossos elementos com a essência humana, já que nunca, em toda sua existência, deixou de cumprir a sua missão. Quanto a nós, os "vampiros", os "lobisomens", os "E.T.'s", anjos, fadas, duendes (ou sabe-se mais que nomenclatura os humanos nos darão), nunca conseguiremos absorver essa essência humana. Pelo contrário: quanto tentamos absorvê-la, ela nos enfraqueceu. E depois de muitas e muitas eras de conformismos, revoltas e sofrimentos inúteis, descobrimos que só podemos receber o dom dessa essência de volta se ela nos for "transmitida" por um outro de nossa espécie.

(Lali) Eu sei. Já cheguei a essa conclusão também. Eu sei agora por que precisam de mim. Só não sei como "transmiti-la" a vocês.

(Peter) Primeiro, permitindo que todos a vejam, ou melhor: sintam a sua presença. Em seguida, nos uniremos e nos tornaremos um só numa mistura de nossos elementos e então você nos "doará" parte da fusão dos elementos que lhe constitui e nós lhe "doaremos" parte dos nossos.

(Lali) E isso fará com que voltemos à nossa constituição primitiva, quando ainda não havíamos feito aquela escolha idiota de deixarmos de ser o que éramos na intenção de possuirmos as essências humanas.

(Peter) Exatamente, minha querida! Com um porém; um grande e um maravilhoso porém: já que não poderemos e não precisaremos mais "voltar para casa", finalmente dominaremos os seres humanos. Não necessitamos mais fazer parte da matéria deles para nos apoderarmos das suas energias e constituições. Seremos invencíveis! Nosso objetivo será finalmente alcançado!

(Lali) Muito bom, Peter! Deixaremos de ser esse joguete nas mãos da Eternidade e poderemos nos tornar Senhores do Universo! No meu caso, não precisarei mais sentir e sofrer como sentem e sofrem esses imbecis humanos! Não precisarei mais passar uma outra vida medíocre fingindo ser quem não sou, ou tentando descobrir quem sou! [Falou Lali, eufórica, contagiada pela energia de Peter] Mas é mesmo simples assim?

(Peter) Sim, minha cara! Simples assim, depois de devotamos parte da nossa existência na pesquisa desta descoberta. Não pense você que foi fácil. Muitos de nós tornaram-se "vegetais" por causa disso. Perderam completamente as suas capacidades existenciais em prol destas pesquisas. E você sabe que não "moraremos". Ficamos incapacitados e inúteis, vagando na eternidade. Mas a pesquisa valeu a pena e rendeu frutos. E, por incrível que possa aparecer, quem nos deu o ponto principal desta descoberta não foi ninguém mais que os próprios humanos!

(Lali) Como assim?

(Peter) Só quando eles finalmente se tornaram suficientemente mesquinhos, traiçoeiros, violentos e desleais uns para com os outros é que pudemos perceber que eles eram constituídos de um elemento principal que os tornava fortes e poderosos. Até então, não sabíamos o que os fazia tão especiais. Analisando-os, vimos que eles eram constituídos de essências idênticas à nossa, quimicamente falando. E percebemos que, ao incorporarem outros tipos de energia à sua constituição, eles perdiam cada vez mais um elemento que os tornava fortes, então só fizemos "pôr mais lenha na fogueira" e proporcionamos a eles poder, riqueza, luxúria e tudo o mais que os enfraquecesse. Com isso, pudemos ter a conclusão final das nossas pesquisas e aqui estamos.

(Lali) Esplêndido! Então basta nos unirmos e daremos adeus à nossa vidinha de antes! Mas e quanto aos Outros que não estão participando desse encontro? Como ficarão? Você disse que eles são em maior número do que os que estão aqui...

(Peter) Quanto a eles, minha querida ex-mortal, pagarão por sua incredulidade e teimosia em não fazer parte do sacrifício das nossas pesquisas. Quando assumirmos o controle dos humanos, eles deixarão de existir como imortais disfarçados de mortais e vegetarão pela Terra, sem poder algum, sem fazer mal ou bem a nenhum mortal ou imortal. Esse será o preço que terão que pagar! 

(Lali) Mas eles sabem desse encontro? Eles não saberão quando fizermos a fusão dos elementos?

(Peter) De jeito nenhum! Tomamos precauções quanto a isso. Isolamos completamente esse espaço etéreo e nenhum ser além de nós saberá ou sequer imaginará o que ocorreu aqui.

(Lali) E o que os leva a crer que essa fusão surtirá o efeito esperado?

(Peter) Ora, minha querida, pode acreditar no que lhe digo! Não foi um ou dois dias humanos de pesquisa que fizemos! Temos a certeza, baseados em nossa sabedoria imortal, de que tudo funcionará com perfeição! Erramos uma vez, movidos por ganância e individualismo, mas agora estamos unidos num só propósito! E você é peça principal nele! Aliás, nós somos, porque muitos de nossa essência Líquida e do elemento Ar doaram suas existências em prol dessas pesquisas. É por isso que estamos em menor número! Não vá desistir agora! 

(Lali) Não, eu não vou desistir. Calma! Quando aceitei encontrar vocês, já estava decidida sobre o que deveria ser feito e nada vai me fazer desistir do meu intento! Mas o que aconteceria se eu desistisse?

Armando-se de uma paciência que não mais existia em seu íntimos, o vampiro procurou pacientemente responder às perguntas de Lali. Ela já o estava irritando com tanto questionamento, mas procurou reunir suas forças. Afinal, dedicou tantas eras à sua procura, que não podia se dar ao luxo de perder a paciência justo agora que, a tinha nas mãos.

(Peter) Infelizmente, minha criança, se você desistir, teremos que passar outras eras da nossa existência à procura de um outro ser puro como você. Certamente encontraríamos, porque você não deve ser a única, mas já estamos exaustos e muitos desistiram da procura. Eu persisti e a encontrei, mas não sei se teria forças para lidar com novas frustrantes e exaustivas buscas. Talvez outro tivesse, mas não sei quanto tempo mais demoraríamos para encontrar e... já estamos tão perto do nosso intento, que lhe confesso que seria difícil superar essa frustração agora. Por isso lhe imploro, Lali: vamos logo pôr um ponto final nisso!

(Lali) Está bem, Peter. Eu só queria dissipar algumas dúvidas e ter certeza do que eu quero, e eu QUERO isso mais que tudo em minha existência! Vou correr o risco de lidar com essa história, para mim, desconhecida. Para vocês, são milênios de pesquisa, mas para mim, eu nunca tomei parte em nenhuma reunião ou encontro, é tudo novidade. Você compreende agora meus receios e questionamentos?

(Peter) Sim, querida, entendo. Mas vamos logo. Mostre-se, para que possamos completar nossa fusão. Eles estão muito ansiosos e alguns, desesperançosos, achando que você está criando algum tipo de empecilho.

(Lali) Não, Peter. Pode dizer a eles que estou pronta! Preparem-se para receber minha energia e depois desfrutaremos do nosso triunfo.

Concluiu Lali, com uma gargalhada que fez o vampiro estremecer.


CONTINUA
Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Vampiro da internet - 35º Capitulo

Não perca as emoções dos últimos capitulos de "O Vampiro da Internet"


35° Capitulo

Ver alguns de sua constituição a fez sentir uma emoção inexplicável. Não sabia se essa emoção vinha da essência humana que adquirira, mas era como se estivesse à beira das lágrimas, aquela explosão de sentimentos que às vezes os humanos não conseguem controlar.

Como aquele elemento era lindo! Como humana, nunca imaginara que o ar pudesse ser tão lindo, já que os humanos não têm a capacidade de vê-lo. Não ver o ar é uma das grandes limitações humanas, mas para ela não.

Podia vê-lo em sua forma e essência. Em sua energia e feracidade. Poder e magnitude.

Agora compreendia por que Peter necessitava dela. Os seres que ela via, constituídos do elemento Ar, apesar de toda beleza e poder, parecia que lhes faltava alguma coisa. A luz que emanava dela própria era diferente da que vinha deles. A deles estava enfraquecida.

Lali concluiu que eles perderam parte de suas essências ao longo do cumprimento dos seus castigos, e por isso aquela aparência de fragilidade.

Sentiu pena deles, afinal, eram seu referencial.

(Lali) Bem, vamos deixar de análises, observações infindáveis e... receios! Vamos logo por um fim nisso tudo. [Disse ela decidida, deslocando-se até ficar próxima de Peter, de frente para ele e deixou-se ver].

Peter fez um movimento e imediatamente um silêncio sepulcral reinou naquele espaço. Era possível ouvir até o barulho do cintilar das estrelas.

Todos olhavam para o lugar onde possivelmente Lali estaria, mas somente o vampiro era capaz de vê-la.

Ele veio ao seu encontro e Lali viu aquele elemento como água se aproximar com toda a maravilhosa beleza que trazia consigo.

(Peter) E então... Lali? Não é magnífico esse nosso encontro? [Perguntou-lhe ao chegar junto dela]

(Lali) Sim, Peter. É realmente fantástico! Não sei como pude deixar de compartilhar isso por tantas eras!

(Peter) Nos reunimos ocasionalmente. Trocamos ideias, mas a razão principal desses encontros é a necessidade de vermos uns aos outros. Viver como seres humanos tornou-se uma tortura para a maioria de nós.

(Lali) Estão todos aqui?

Peter riu alto. Uma gargalhada muito diferente de um riso humano.

(Peter) É claro que não minha querida! Aqui só estão uns poucos que conseguem compartilhar o mínimo de "amizade" entre si. Infelizmente, somos rivais até a última gota de nossa essência, e sentimentos como amizade, companheirismo, deixamos de ter esses sentimentos, e eles só são encontrados na raça humana. Mas os que aqui estão hoje, por uma questão exclusiva de sobrevivência tiveram que recolher os seus instintos e aprenderem a compartilhar. Não somos "amigos"; somos companheiros de necessidade.

(Lali) Ok. Entendi. Por uma questão de sobrevivência, vocês precisam se reunir, trocar ideias e discutir problemas...

(Peter) É isso. Não aguentávamos mais a solidão de vivermos com as consequências da nossa burrice. Fomos gananciosos demais e achamos que dominar a humanidade e conquistar a servidão humana seria fácil, já que os humanos são tão vulneráveis, mas vimos que não sera tão fácil quanto pensávamos.

(Lali) Então, onde estão os outros?

(Peter) Vagando por aí. Fazendo o que nós sabemos fazer de melhor: ILUDIR, MANIPULAR e CONFUNDIR a raça humana, já que acreditamos que era impossível dominá-los. Alguns dedicam a eternidade exclusivamente para isso. O ódio pelos humanos consegue ser maior que o nosso. Têm o maior prazer em traçar planos cada vez mais sórdidos para desnorteá-los e desviá-los do objetivo principal.

(Lali) O amor ao próximo?

(Peter) Sim. Sem ele os seres humanos perdem a maior parte de toda a sua essência, já que foram criados embasados nesse elemento. O amor de um ser humano para com o outro, sem almejar nada em troca, aquele sentimento que eles têm, quando ajudam ao semelhante, quando prestam sua solidariedade. Muitos não se dão conta de que quanto mais usa essa essência, mais ela lhes retorna em maior quantidade, em forma de energia pura. Se usassem sempre, seriam invencíveis e nos combateriam com muita facilidade, mas é aí que entramos. Confundindo-os, eles se esquecem desse elemento principal das suas essências.

(Lali) Ok! Isso eu já havia concluído. A convivência com os seres humanos, sendo um deles, sentindo e sofrendo como um deles, nos torna cada vez mais possuidores dessa essência.

(Peter) Exato minha cara. E como você já deve ter concluído também, você é uma das essências mais pura da mistura dos nossos elementos com a essência humana, já que nunca, em toda sua existência, deixou de cumprir a sua missão. Quanto a nós, os "vampiros", os "lobisomens", os "E.T.'s", anjos, fadas, duendes (ou sabe-se mais que nomenclatura os humanos nos darão), nunca conseguiremos absorver essa essência humana. Pelo contrário: quanto tentamos absorvê-la, ela nos enfraqueceu.

CONTINUA
Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Vampiro da Internet - 34° Capitulo



34° Capitulo

Lali suspeitava que o número era grande, principalmente se visto sob o ângulo humano, mas até para ela havia sido uma surpresa ver que eles continuavam existindo depois de tanto sofrimento e de tanta energia desperdiçada! Apesar de eles estarem em grande número, não ocupavam espaço como ocupariam se estivessem na forma humana. Suas essências não eram constituídas de matéria, e por isso, por miríades que fossem, jamais ocupariam o espaço físico que os humanos ocupam.

Pôde perceber de imediato que eles não captavam a sua presença. Isso foi uma das primeiras precauções que ela havia tomado. Da outra vez, seu instinto a protegera, não permitindo que ela se deixasse mostrar, mas agora ela tomara medidas propositais para não ser vista.
Precisava se aproximar e sondá-los.

Deslocou-se cautelosa até próximo deles. Ainda sentia um certo receio por não confiar inteiramente nas suas capacidades, mas logo abandonou esse sentimento humano. A força que recebera logo ao chegar ali deixava-a novamente confiante.

Como previsto, nenhum deles pareceu aperceber-se de sua presença. Lali passeou por entre eles os observando, admirada. Era simplesmente inacreditável! Eram impressionantemente magníficos, até para ela! A mistura de luzes e cores proporcionava um espetáculo à parte.

Era de se esperar que ela ficasse embasbacada, afinal, fazia milhares e milhares de anos que ela não via muitos assim, e as suas formas primárias eram mesmo formidáveis.

Ela também era constituída dessa forma magnânima, mas ver-se refletida nos Outros era impressionante!

Sorriu para si mesma, imaginando se um ser humano presenciasse aquilo.

Seus pobres e imperfeitos corações certamente não suportariam. Talvez por isso, durante sua permanência como humana, ouvira histórias de que algumas pessoas teriam visto seres fantásticos em determinados locais e por isso tenham lhe atribuído santidade ou divindade.

Pobre mortais! Tão Vulneráveis! E logo, logo estariam sob o domínio deles...

Lali dispersou esses pensamentos, voltando a concentrar-se no que via. A luz que emanava do local era um misto de suavidade e intensidade, de acordo com o seu possuidor.

Ela logo notou que todos eram constituídos daquelas essências que vira nos três seres numa certa noite. Muitos tinham a aparência do Fogo, e muitos outros, a essência barrenta que lhe lembrava a Terra. Uma grande parte deles era constituídas desses elementos. Aqueles com forma Líquida (uma das mais lindas de se ver) eram poucos. Aliás, pouquíssimos, comparado à maioria.
E Peter era um deles.

Não demorou muito para Lali o encontrar. Ele estava em meio a um grupo de "Líquidos", e a beleza dele era ímpar. Os de elemento Fogo eram de uma beleza rara, difícil de explicar. Emanavam força e poder, mas não tinha a transparência e a beleza única que Peter possuía. Olhar para a sua forma liquefeita trazia imediatamente paz para dentro do seu observador e uma vontade incontrolável de ficar observando-os infinitamente!

Lali ficou observando Peter por alguns minutos, como se estivesse hipnotizada pela beleza dele. Era mesmo fantástico.

Alguns Terra e Fogo estavam em volta de um outro grupo, que Lali não havia percebido antes, por ser uma minoria gritante em comparação com os demais. Esses tinham uma essência volátil e eram quase imperceptíveis, mas também muito belos.
Sua essência era o Ar, e Lali pôde "se ver" mais uma vez.

(Lali) Então é assim que eu sou!

CONTINUA
Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Vampiro da Internet - 33° Capitulo



33° Capitulo

A noite estava linda! Fazia tempos que Lali não via um céu tão límpido e estrelado! A dúvida era se o céu estivera sempre assim, ou se foi a enorme mudança que aconteceu dentro dela que fez com que, agora, ela visse o mundo com outros olhos.

Da janela da sua casa, admirou mais uma vez o infinito e as estrelas. Lembrou-se de quando, muitas vezes, ao se sentir triste e sozinha, olhou para o céu, tendo dentro de si um sentimento que nunca conseguira explicar. Agora sabia seu nome: SAUDADE.

Em várias ocasiões olhava para o céu e sentia vontade de voltar para casa, mas isso ela também descobriu ser impossível. Não existia mais volta. O caminho havia sido escolhido e não havia retorno.

Descobrira também porque sempre se sentia tão sozinha: não conseguia se adaptar aos amigos humanos, por achá-los tão diferentes dela e não conhecia nenhum da sua espécie. Até agora.
Era chegado o momento.

Através de Peter (ou sabe-se lá seu nome verdadeiro), ela iria se encontrar com alguns (ou talvez muitos, não fazia ideia de quantos restavam) dos seres que só via em sonhos. Aqueles seres fantásticos realmente existiam, e ela se sentia preparada para esse encontro.
Já se decidira e já sabia o que tinha de ser feito.

Olhou para o relógio. Era ainda muito cedo para ir dormir. Não passava das 21:00h, mas ansiedade começava a dominá-la. Procurou acalmar-se.

Dominar a ansiedade fora uma das primeiras lições recebidas e que a fizera chegar até onde chegou, por isso tratou de respirar fundo e dominar esse defeito humano.

De repente o telefone tocou. Ela ficou até o aparelho e, sem tocá-lo, sabia quem estava ligando. "Via" a imagem de Euge, do outro lado da linha, aguardando ser atendida. Lali não queria falar com ela e nem com ninguém. Não queria perder a sua concentração e não fazia a menor ideia do que Euge poderia querer com ela numa hora daquelas. Concentrou-se e o aparelho emudeceu de imediato.

Do outro lado da linda, uma Euge confusa dava tapinhas no fone, na tentativa de fazê-lo voltar a funcionar. Como não conseguia, desistiu.

Satisfeita, Lali voltou para o seu quarto. Talvez tivesse sido melhor ter atendido ao telefone. Jogariam conversa fora e assim o tempo passaria mais rápido, pois estava mesmo difícil controlar a ansiedade.

Ela não conseguia se imaginar conversando tranquilamente com Euge, enquanto o seu futuro e o futuro da raça humana estavam para ser decididos.
Mas agora chega! Cansou de esperar. Finalmente conheceria os Outros!
Lali olhou mais uma vez para o relógio e resolveu que não esperaria mais.

Para encontrá-los não precisava dormir, mas alguma coisa em seu íntimo a avisava de que precisaria estar em plena forma, e isso ela só conseguia abandonando a matéria humana completamente.

Dirigiu-se à sua cama, que agora era contemplada como a um campo de batalha. Não tinha ideia de tudo o que lhe aconteceria, mas confiava nos seus instintos. Tinha certeza de que, no momento certo, saberia como agir. Essa atitude sempre dava certo e não seria agora que seus instintos a deixariam na mão.

Deitou-se e revirou-se na cama, tentando dormir. Inexplicavelmente, o sono não vinha. Aliás, era de se esperar. Estava dominada pela ansiedade humana e com essa sim era difícil de lidar.

Depois de rolar de um lado para o outro, sem conseguir que o sono chegasse, ela se deitou de barriga para cima e abriu os braços, deixando-os estendidos ao lado do corpo.

Sentiu as pernas, braços e todo o corpo relaxando, relaxando e, em poucos minutos, não viu mais nada. Havia funcionado! Estava dormindo.

Em princípio, nada acontecia. Lali estava num estado de sono leve e ainda não passara para o sono profundo. Num determinado momento desse sono leve, um veículo passou próximo à sua janela e buzinou repetidas vezes, chamando sua vizinha do andar de cima.

Lali acordou assustada, quase dando um pulo da cama. O coração quase saltando da boca. Seu corpo parecia estar formigando, como se faltasse alguma parte dele. Olhou para si e viu uma coisa que nunca havia presenciado antes: em volta do seu corpo, havia minúsculas luzes cintilantes, como se ela tivesse caído nm tanque de líquido fosforescente.

Lali nunca havia presenciado a sua essência, estando na forma humana. Era linda de se ver! Agora entendia por que os humanos se deixavam iludir com tanta facilidade!

(Lali) Droga! Eu quase consegui!

Agora teria que fazer tudo de novo. Relaxar e dormir. Precisava fazer isso logo.
Alguma coisa lhe dizia que dormiria muito mais do que de costume.

Desta vez, o sono chegou rapidamente e lá estava ela novamente naquele ermo já conhecido.
Olhou em volta e não viu nada e nem ninguém. Apenas a escuridão do infinito.
Tratou de aproveitar aquele momento. Rodopiou no ar como uma criança feliz.

Sentiu toda energia que o ar poderia lhe oferecer. Cada partícula da sua essência recebia, nesse momento, uma dose extra de energia cósmica. Sentiu-se forte e revigorada. Tinha a sensação de que poderia carregar o mundo com as mãos, tamanha era a força que sentia agora.

Flutuou mais para cima, alcançando um espaço antes inexplorado.
Nunca estivera tão alto. Era a primeira vez que tinha força suficiente para ir àquela altura.
E... lá estavam eles.

Eram em número maior que Lali esperava. Achava que seriam uns punhados, não ultrapassando a casa dos 100 mil, mas o que ela via ultrapassava os 100 milhões, com certeza! Já era de se esperar. No início, os rebeldes eram incontáveis.

CONTINUA
Autora: Licínia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante / Quasee Anjoos

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Vampiro da Internet - 32° Capitulo



32° Capitulo

Vampiro diz: Com vocês que foram menos rebeldes ou que se arrependeram do que fizeram, não aconteceu esse castigo. Foi-lhes concedida a oportunidade de tentar se redimir da falta cometida. Uma ínfima possibilidade de ter uma "vida" menos dolorosa, já que, de qualquer forma, serão exterminados como nós seremos no final de tudo. Vocês "nascem", porque habitam um corpo em formação. Aquele bebê que um dia seria um ser humano normal recebe a essência de vocês durante o processo de nascimento, conservando-se intactas a essência humana e a nova recebida, porém, nesse processo, vocês perdem a capacidade de lembrar-se de quem são, dos seus poderes e tudo o mais que eram capazes de realizar. Passam a agir instintivamente, e como a essência humana é também muito poderosa, deixam-se dominar por ela, quase que completamente. Vocês se transformam em crianças especiais, bem dotadas, capazes de feitos inacreditáveis. Mas, às vezes, se perdem completamente. Tornam-se introspectivas, deprimidas, chegando algumas à loucura total por não conseguirem se entender ou não entender a mutação que existe dentro delas.

Solitária diz: Então, com o passar do tempo, podemos voltar a lembrar quem somos ou não, é isso?

Vampiro diz: Exato. Em algum desses "nascimentos", vocês podem viver quase que normalmente como seres humanos e "morrerem" de velhice sem nunca saberem quem são. Daí, quando "morrem", a essência volta intacta ao que era e imediatamente vocês sabem quem são e sofrem, sofrem muito, por saberem que o fim ainda não chegou e que, para permanecerem aqui, terão que, mais uma vez, "nascer", para, assim, continuarem a cumprir seus castigos.

Solitária diz: E não podemos simplesmente continuar a "viver" como somos ao invés de habitarmos um novo corpo?

Vampiro diz: Poderiam atém. Alguns de vocês fazem isso por um certo período, mas depois voltam atrás e vêem que só perderam tempo. Quanto a nós, assim que o corpo que ocupamos torna-se inabitável, somos obrigados a ocupar um outro, pois nossa essência ficou dominada pela essência humana, necessitando do sangue para manter-nos vivos. Se não habitarmos um novo corpo, navegaremos eternamente, incapacitados de usar nossos poderes. Usando uma expressão humana, seríamos apenas vegetais. Muitos optam por esse caminho, fartos de viverem como humanos, mas logo desistem por se extremamente exaustivo aguardar uma eternidade sem nada fazer. Já vocês, assim que "morrem", poderiam fazer o mesmo, optando por não mais "nascerem" novamente, visto que não perdem seus poderes e muitos realmente fizeram essa opção, desistindo do acordo feito. Mas aí, vêem que apenas perderam completamente o sentido de existência e então preferem voltar a cumprir o acordo. Já outros, como você, preferem continuar a missão (ou castigo), ininterruptamente.

Solitária diz: Então, nosso acordo, missão, castigo ou se lá o quê, sendo cumprido rigorosamente, nos deixa intactos, ao passo que, se fraquejamos, desistimos, falhamos por um período, mesmo que voltemos atrás e nos tornemos um novo ser humano, vamos perdendo nossa essência, capacidade ou poderes.

Vampiro diz: Isso! E como eu já lhe disse, você é um dos poucos que cumpre essa missão à risca. Nunca deixou de "nascer" novamente assim que morre como humano e com isso tem uma essência da mais rara e da mais pura possível. A procura por você foi árdua e muitos desistiram, mas eu não! Tinha certeza de que um dia lhe acharia e que, por um golpe de sortem talvez você estivesse farta de tudo e pudesse nos ajudar.

Solitária diz: Como faço isso?

Vampiro diz: Quando estivermos no estado em que os humanos chamam de sono e que é um dos únicos momentos nossos de total liberdade, vamos nos reunir, e então você se deixará ver (assim como fez comigo hoje) e encontraremos todos os outros. Reunirei-os e direi a eles que encontrei o que tanto procuramos e que muitos acreditavam que não existia mais. Assim que eles puderem ver você, acreditarão que a rebeldia poderá triunfar! E juntos, Lali, agora que sabemos como fazer, finalmente atingiremos nosso objetivo inicial: dominar toda a humanidade, transformando esses mortais em nossos escravos eternos!

CONTINUA
Perdão por não ter postado essas duas semanas que se passaram, mas hoje volta ao normal.

Autora: Licinia Ramizete
Adaptação: Bruno Cavalcante / Quasee Anjoos